Sobre a quarta-feira passada, 13 de Maio

Abolição da escravatura.

Aniversário de dois anos da turma.

Seminário Nacional de Psicologia e Políticas Públicas.

Montagem postagem

A quarta-feira 13 de Maio é uma data marcante no calendário, pessoal e histórico, por três acontecimentos, em ordem de cronológica e significados distintos: a abolição da escravatura (ou melhor, o dia em sua uma princesa assinou um pedaço de papel em 1889), aniversário da minha turma de Psicologia e seminário de Psicologia e Políticas Públicas.

Em 1888, contam os mesmos livros de história em que xs guerreirxs do povo negro e seus levantes não são lembrados, que a princesa Izabel assinou a Lei Áurea e libertou todo o povo negro da escravidão. E, a partir desse dia em diante, elxs caminharam contentes pelas terras do país, supostamente distantes de todo sofrimento causado pelas chicotadas dos senhores e condições desumanas da escravidão. O que os livros de história não nos contam é que o povo negro caminhou com os pés descalços e calejados, sofridamente, sem ter exatamente para onde ir, com o estômago vazio e ferida aberta rasgando a carne. Que caminhou e continua caminhando, resistindo; Que a tal princesa não assinou a lei por pura bondade, mas por pressão internacional. Pela defesa de interesses por um mercado consumidor e de uma determinada burguesia. Que se tratou, na verdade, de uma liberdade forjada, até os dias atuais, por uma classe dominante e opressora.

Abolição da Escravatura, libertação do povo negro escravizado? Quando o povo preto é exterminado todos os dias, é criminalizado pela sua cor, sofrendo com o racismo que os coloca em um lugar histórico de subgente, de um povo desprezível, a gente pode mesmo afirmar que em 2015 do século XXI se vive em uma sociedade onde as pretas e pretos são livres e iguais ao restante da população? Enquanto o povo preto vive nos morros e favelas, distante das vistas do centro das cidades, com casas nas encostas, ignorados pelo poder público que nada faz diante de mortes previsíveis causadas pelos deslizamentos em tempo de chuva e as mulheres pretas morrem diariamente vítimas de aborto clandestino, precisamos nos perguntar: será possível mesmo que ainda existe gente que acredita que todas essas questões se reduzam a uma questão de escolha? O povo preto ainda está preso: a opressão racista, à desigualdade, à criminalização. Algumas correntes conseguiram ser vitoriosamente rompidas através de muita luta popular, mortes e resistência, mas o chicote ainda bate no lombo desses homens e mulheres todos os dias em uma sociedade opressora como a nossa.

Há dois anos atrás, tive o meu primeiro dia na universidade, na faculdade de Psicologia da UFBA, da Semana das Calouras – o primeiro dia com a minha turma. É com gratidão que olho para a turma do primeiro semestre de 2013, a turma a qual pertenço, porque mais harmoniosa e cheia de pessoas legais não podia ser. 13 de Maio é uma data simbólica significativa para mim, porque me faz lembrar que entrei na sala de aula naquele primeiro dia do primeiro semestre de uma forma e agora me construo sob uma outra base, sou uma outra pessoa, completamente diferente e mais empoderada, convicta da psicóloga que quero ser e do projeto de Psicologia que defendo, da Psicologia que construo. Certa, principalmente, de que há muito mais para crescer e aprender na luta pela vida das mulheres, do povo preto e pobre das favelas.

Há alguns dias atrás, participei com colegas de turma do 8º Seminário Nacional de Psicologia e Políticas Públicas. A primeira mesa redonda foi maravilhosa, composta por três profissionais, dois homens e uma mulher. O primeiro palestrante foi muito bom, e o último, com a melhor fala entre os presentes, tinha uma bagagem de mais de dez anos em gestão do SUS. Não o conhecia, mas era dava pra perceber que ele é referência na área e naquele momento ele se tornou uma referência pra mim e outras pessoas presentes, que levantaram para bater palmas em sua fala final.

Esse dia me ajudou a tomar uma decisão. Estava em dúvida sobre qual categoria em um estágio me inscreveria e, naquele momento, entre as palavras dele cheias de conhecimento e propriedade, como um clique a resposta surgiu: GESTÃO.

A turma aproveitou o dia do seminário para tirar uma daquelas fotos agradáveis que se guarda de lembranças e almoçarmos juntas. É bom estar com gente que a gente se sinta bem.

Isso é um pouco sobre o significado das datas em nossos dias.

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