A revolução há de chegar

filha-da-luta

É nos quilombos das favelas

Onde residem Dandaras e Zumbis

De Palmares ao Cabula VI

No grito que se desenha em cada um que sobrevive:

“Aquilombado vivo,

Aquilombado resisto”

Mas que a opressão não perdoa

Mata todo dia, nega todo o dia

Sobra só o racismo e o extermínio pra periferia

Pra essa gente que tenta ser gente quando não deveria

É na vida das mulheres jovens, mães e trabalhadoras

No silêncio dos abortos clandestinos

E nas mortes que deram seu último grito

Que ninguém ouviu, ninguém assistiu

É no choro dos filhos perdidos

Confundidos pela política com bandidos

Nos hematomas e silenciamentos

Agressõess, abusos e constrangimentos

Nos punhos que se encontram, erguidos,

com a força do feminismo

É no suor dos Sem-Terra

Na resistência em Eldorado dos Carajás

Seguindo em marcha pela libertação da pátria

Por um pedaço de terra da Reforma Agrária

Do viver com o que do campo se colher e se plantar

Sem agrotóxicos, apenas a foice e o martelo

Ensinando pra cidade da terra cuidar e trabalhar

Armados para lutar

É nas travestis e transexuais

Brutalmente agredidas e assassinadas

Nos rostos desfigurados, identidades negadas

A cidadania raramente lhes sendo assegurada

As leis se omitem, o respeito não existe

Educação, saúde, emprego: onde vivem?

Perto delas passa só o preconceito

E viver já é, por si só, considerado subversivo

É sobre toda essa gente

Do centro a favela, da capital ao interior

De Sudeste a Nordeste, de Norte a Sul, Centro-Oeste

Do Rio a Salvador, do Amazonas ao Paraná

Que a juventude vai se referenciar

É no passo dessa gente toda

Que o triunfo um dia virá

É nas sementes da juventude do projeto popular

Em novas mulheres e novos homens

Se forjando pra luta do povo tocar

É dessa gente que não suporta injustiça

Que se indigna e se inqueta com o sofrimento de outras vidas

Que eu quero ombro a ombro, com amor, lutar

É assim, só assim, que a sociedade se transformará

Pátria livre, venceremos!

Porque a revolução, um dia, há de chegar

Caroline Anice

Escrito em 21 de Abril de 2015

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Um comentário sobre “A revolução há de chegar

  1. “E nas mortes que deram o seu último grito Que ninguém ouviu, ninguém assistiu”.
    Muito bom, amiga! Muito bom, mesmo. Eu adoro poemas, tem alguma coisa diferente neles, uma beleza sutil. Vai lançar livro? 🙂 Sério

    Curtido por 1 pessoa

Comentários

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