Compromisso com a nossa gente

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O compromisso da Psicologia que construímos é com a vida do nosso povo. A Psicologia da nossa formação precisa ir além dos muros da universidade, derrubando o concreto e as grades que não só delimitam a sua área, mas acabam nos separando da vida de nossa gente. É imprescindível, enquanto futuras psicólogas e psicólogos, pautarmos a luta por uma Psicologia verdadeiramente voltada para todas e todos. É preciso nos formarmos e nos forjarmos para uma atuação que se volte para aqueles que precisam de nós. Psicologia para quem precisa, Psicologia para quem precisa de Psicologia, cantarolou certa vez um professor querido, em uma paródia a Titãs.

Esses muros que nos afastam do povo, são os mesmos muros que nos separam de nós mesmos. A Psicologia apresentada e debatida em sala de aula precisa falar e fazer sentido para e sobre a vida de cada uma e cada um daqueles que agora ocupam as cadeiras dos cursos da universidade; estar a par com cada uma e cada um daqueles que, recentemente, conquistaram o acesso a espaços e a garantia de direitos que antes lhes eram negados. Uma Psicologia alinhada com a vida de quem, depois de muita luta, conseguiu entrar e está travando uma outra luta para permanecer, em diferentes contextos. A nossa Psicologia precisa ter um pouco de cada um de nós que está do lado de dentro, que acabamos de chegar, e de tantos outros que ainda não chegaram, mas, com certeza, e esperamos que tão logo, virão se juntar a nós. Nosso compromisso é por uma Psicologia com compromisso social: de mãos dadas com a mulher, o preto, o pobre, o índio, o homoafetivo, a lésbica, a bissexual, a transsexual, entre outros plurais.

É através exclusivamente do Sistema Único de Saúde onde a grande maioria da população brasileira tem acesso aos serviços de saúde. É o SUS o maior empregador das psicólogas e psicólogos e onde a maioria de nós conseguirá o primeiro emprego. Diante disso, é importante levantar a questão: o SUS que nós temos é o SUS que queremos?

A população negra tem suas demandas específicas. A população feminina tem demandas específicas. A população indígena possui demandas específicas. E nós, psicólogas em formação, quanto sabemos de cada uma delas e de suas respectivas demandas? O quanto nossos currículos falam dessa gente de cores, orientações e gêneros diferentes? Estamos sendo preparados em sala de aula para a atuar nesse contexto? A resposta é não. Mas quão engajadas e engajados estamos na luta, no forjar-se diário, na produção de conhecimento – seja em sala de aula, nos livros que lemos, nas pesquisas, em atividades extracurriculares, em grupos de extensão – e na organização estudantil estamos é que nos apontará o horizonte e nos formará profissionais que a sociedade precisa.

E é nesse momento que percebemos a força que a gente tem.

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