Estágios e vivências interdisciplinares no SUS

ESTÁGIO NO SUS

No fim do ano passado, tiveram início as inscrições para as vivências do VER-SUS Brasil no semestre de 2015.1, os estágios e vivências na realidade do Sistema Único de Saúde, em todas as regiões do país. O VER-SUS é uma proposta do Ministério da Saúde, em parceria com a Rede Unida, com a Rede Governo Colaborativo em Saúde/UFRGS, com a UNE, com o CONASS e com o CONASEMS, onde os estagiários e facilitadores de aprendizagem, juntas/os, conhecem os serviços oferecidos pela rede, a gestão e a participação social nos sistemas locais de saúde.

O VER-SUS possibilita o despertar de uma visão ampliada do conceito de saúde, abordando temáticas sobre Educação Permanente em Saúde, quadrilátero da formação, aprendizagem significativa, interdisciplinaridade, Redes de Atenção à Saúde, reforma política, discussão de gêneros, movimentos sociais, questões que estão intrinsecamente relacionadas à saúde, ao SUS.

VERSUS BRASILAs estudantes e os estudantes de graduação emergem em uma vivência teórica, prática e vivencial dentro dos sistemas de sáude dos territórios de abrangência, cuja metodologia de imersão dura de 7 a 15 dias, de forma interdisciplinar, onde trocam experiências também com residentes, técnicos e movimentos sociais. Hospedagem, alimentação, transporte e material didático dentro do Sistema Municipal de Saúde sempre são disponibilizados às/aos participantes. É, com certeza, uma experiência ímpar para nossa graduação!

No meu primeiro semestre de Psicologia me inscrevi para a 6ª edição do Estágio de Vivência no SUS, acabei não conseguindo uma das vagas para viventes, mas continuei atenta para as oportunidades das outras edições. e E agora quase um ano e meio depois, em sua sétima edição, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), por meio da Superintendência de Recursos Humanos (SUPERH), através da Escola Estadual de Saúde Pública (EESP), realizou as inscrições para o Estágio de Vivências no Sistema Único de Saúde (EVSUS-BAHIA), no meio do mês de janeiro. Porém, o período de imersão do VER-SUS estava agendado para a mesma data de uma outra vivência que eu participaria, a da SEVI-SUS UFBA, então decidi esperar a próxima edição para me inscrever e tentar conquistar uma vaga como vivente ou facilitadora.

FAS UFBAAno passado, em 2014, tive a oportunidade de participar pela primeira vez e ser aprovada em uma outra seleção semelhante a do VER-SUS, a III Semana de Vivências Interdisciplinares no SUS (SEVI-SUS) da Universidade Federal da Bahia. A semana é organizada pelo Fórum Acadêmico de Saúde da UFBA e aberta apenas às/aos estudantes do campus de Salvador, dos mais de vinte cursos de graduação da universidade, onde na etapa final são selecionadas/os cerca de quarenta estudantes. Preciso nem dizer o quanto desejava a aprovação e vibrei com o resultado! Fiquei verdadeiramente contente, depois de dias de ansiedade, e tenho certeza que a SEVI-SUS será uma semana de experiências incríveis para a minha formação profissional e enquanto pessoa, militante, cidadã.

A experiência dos estágios e vivências na realidade do SUS nos permitem conhecer como funciona o sistema de saúde que a grande maioria da população brasileira, negra e pobre, utiliza, trocar experiências e realizar discussões com estudantes de outros cursos de graduação, de forma interdisciplinar, enquanto somos sensibilizadas/os para o verdadeiro compromisso que nós, futuras e futuros profissionais, temos: o compromisso com a saúde do nosso povo, a vida de nossa gente. É nosso papel voltar nossa formação, prática e produção de conhecimento na universidade, mas também política e socialmente, por uma Psicologia, por serviços e uma saúde pública para todas e todos: nos forjarmos na luta por um SUS que seja verdadeiramente universal.

Acompanhe a página do VER-SUS Brasil para ficar por dentro das próximas inscrições de estágios e vivências na realidade do Sistema Único de Saude. E se você for estudante da UFBA ou da Bahia, acompanhe as páginas do Fórum Acadêmico de Saúde e da Escola Estadual de Saúde Pública (EESP) também!

O que acharam dos programas? Já conheciam as vivências e estágios no SUS ou participaram na imersão de alguma edição?

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Compromisso com a nossa gente

mulhernegra

O compromisso da Psicologia que construímos é com a vida do nosso povo. A Psicologia da nossa formação precisa ir além dos muros da universidade, derrubando o concreto e as grades que não só delimitam a sua área, mas acabam nos separando da vida de nossa gente. É imprescindível, enquanto futuras psicólogas e psicólogos, pautarmos a luta por uma Psicologia verdadeiramente voltada para todas e todos. É preciso nos formarmos e nos forjarmos para uma atuação que se volte para aqueles que precisam de nós. Psicologia para quem precisa, Psicologia para quem precisa de Psicologia, cantarolou certa vez um professor querido, em uma paródia a Titãs.

Esses muros que nos afastam do povo, são os mesmos muros que nos separam de nós mesmos. A Psicologia apresentada e debatida em sala de aula precisa falar e fazer sentido para e sobre a vida de cada uma e cada um daqueles que agora ocupam as cadeiras dos cursos da universidade; estar a par com cada uma e cada um daqueles que, recentemente, conquistaram o acesso a espaços e a garantia de direitos que antes lhes eram negados. Uma Psicologia alinhada com a vida de quem, depois de muita luta, conseguiu entrar e está travando uma outra luta para permanecer, em diferentes contextos. A nossa Psicologia precisa ter um pouco de cada um de nós que está do lado de dentro, que acabamos de chegar, e de tantos outros que ainda não chegaram, mas, com certeza, e esperamos que tão logo, virão se juntar a nós. Nosso compromisso é por uma Psicologia com compromisso social: de mãos dadas com a mulher, o preto, o pobre, o índio, o homoafetivo, a lésbica, a bissexual, a transsexual, entre outros plurais.

É através exclusivamente do Sistema Único de Saúde onde a grande maioria da população brasileira tem acesso aos serviços de saúde. É o SUS o maior empregador das psicólogas e psicólogos e onde a maioria de nós conseguirá o primeiro emprego. Diante disso, é importante levantar a questão: o SUS que nós temos é o SUS que queremos?

A população negra tem suas demandas específicas. A população feminina tem demandas específicas. A população indígena possui demandas específicas. E nós, psicólogas em formação, quanto sabemos de cada uma delas e de suas respectivas demandas? O quanto nossos currículos falam dessa gente de cores, orientações e gêneros diferentes? Estamos sendo preparados em sala de aula para a atuar nesse contexto? A resposta é não. Mas quão engajadas e engajados estamos na luta, no forjar-se diário, na produção de conhecimento – seja em sala de aula, nos livros que lemos, nas pesquisas, em atividades extracurriculares, em grupos de extensão – e na organização estudantil estamos é que nos apontará o horizonte e nos formará profissionais que a sociedade precisa.

E é nesse momento que percebemos a força que a gente tem.