Por uma comunicação feminista e popular

feminismo

Quando as mulheres protagonizam, nossas conquistas raramente ganham visibilidade na grande mídia e por essa mesma razão, nem mesmo chegam verdadeiramente ao conhecimento de toda a população, de todas as mulheres da sociedade. Nossas conquistas raramente saem na televisão, viram notícia e matérias de jornais, estão nos outdoors das ruas e nas capas das bancas de revista. Quando as mulheres sofrem as dores diárias da opressão machista e do patriarcado, essas mesmas dores são silenciadas ou deslegitimadas pelos meios de comunicação, enquanto os números de mortes por abortos e feminicídio só fazem aumentar.

A mídia com frequência manipula e converte, propositadamente, os papeis: o agressor passa a conquistar a compreensão e cumplicidade do público, afinal, fica mais do que perceptível que ele não teve culpa nenhuma, enquanto a agredida, a violentada, a assediada, passa ser vista sobre a imagem construída de vítima algoz, porque se ela não quisesse, se ela fosse mais cuidadosa, se ela tivesse mais respeito próprio, a agressão não teria acontecido. O monopólio da mídia é das maiorias políticas – que estão bem distante de ser as maiorias sociais, o que expressa aí um importante problema de representatividade –, daqueles e daquelas cujo interesse é que o status quo permaneça porque é assim que eles se beneficiam e acumulam capital, às custas do sofrimento do povo. Enquanto meio de formação de opiniões, interesse nenhuma há. A liberdade das mulheres não lhes interessa.

A mulher. As mulheres. Aquela que desafiou a autoridade do marido e mereceu o murro na cara. Aquela que usou short curto, mostrou a barriga, bebeu demais e quis ser assediada sexualmente. Aquela que voltou pra casa em uma rua escura depois das onze horas da noite e se deixou ser estuprada. Aquela que “tentou se passar por mulher” e mereceu ser espancada. Aquela que é negra e foi feita pra ser objetificada. Aquelas que são mulheres, e só por ser mulher, isso é o bastante para sofrerem violência. É o bastante para serem tratadas como inferiores. Um minuto a mais no jornal de maior audiência da televisão pode ser tempo suficiente para justificar sobre argumentos machistas e misóginos a violência contra cada uma de nós, especialmente as mulheres trans, pretas e pobres da periferia. Uma hora e meia é suficiente para uma mulher ser vítima de feminicído em nosso país.

Pouco lemos, assistimos e escutamos sobre a vida das mulheres, porque falta espaço nos grandes meios de comunicação, mas muito vem sendo escrito e produzido sobre a vida das mulheres, sobre as opressões, agruras e lutas diárias das trabalhadoras, das jovens estudantes, das mães dessa sociedade. Há muito mais para ser feito por uma comunicação nossa, feminista e popular. Temos encontrado cada vez mais voz, mais força, mais união e apoio umas nas outras para nos expressarmos e a internet, sem dúvidas, tem contribuído bastante para atravessarmos as fronteiras da comunicação que o machismo impôs. Blogueiras, vlogueiras, colunistas, páginas no Facebook e sites da internet feministas, ou que somem à luta das mulheres, tem se multiplicado e isso expressa que o que temos a dizer ao mundo é muito e importante porque é sobre nossas vidas. As mulheres são escritoras, autoras, jornalistas, protagonistas da história e de suas próprias vidas, e a mídia precisa acrescentar e servir de instrumento para visibilizar as opressões, para a nossa libertação, que é também a libertação do nosso próprio povo.

Popularizar a comunicação significa que as mulheres poderão produzir conteúdo e enxergar a elas próprias neles,mulheres-em-marcha-por-uma-comunicação-feminista-e-popular mas, mais do que isso: significa que existirá maior abertura para a participação do povo preto, da periferia, das mulheres, dxs LGBTs e as informações não mais serão manipuladas por redes de televisão porque a mídia será democratizada e o povo, com sua voz protagonista, poderá escrever dele para e por ele mesmo. Significa que a comunicação servirá de instrumento para a nossa libertação, para o ganho em nossa representatividade, acompanhando e construindo, no mesmo passo, uma sociedade mais igualitária, justa e respeitosa para todas e todos. Significa que aquelas que sofrem agressões, assédio e violência terão vez. Os estereótipos que nos cercam enquanto mulher, não serão reforçados a todo instante e poderemos ser formadoras de opinião. Mulheres poderão e falarão sobre política, economia, futebol, ciência, feminismo e menos sobre moda, relacionamentos e cozinha.

O que podemos fazer, então? Compartilhar, escrever, produzir, indicar e ler conteúdo, matérias, artigos, páginas, vídeos, filmes, feministas e populares. Nos empoderarmos e empoderarmos nossas companheiras cada dia mais. Ir às ruas por uma comunicação que fale e respeite todas e cada uma de nós. Lutar por nossas vidas e as vidas das nossas companheiras através do feminismo.
Seguiremos em marcha até que a comunicação seja feminista e popular – e ela será.

Conhece os cartazes da 4ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres?
Há uma série de cartazes como o que ilustra essa postagem.

Agora, diz aí: quais blogs, revistas, colunas, vlogs, páginas, sites produzidas por mulheres e/ou para mulheres com proposta feminista e popular vocês conhecem e acompanham o trabalho? Tô pensando em fazer uma postagem só com indicações (:

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Estágios e vivências interdisciplinares no SUS

ESTÁGIO NO SUS

No fim do ano passado, tiveram início as inscrições para as vivências do VER-SUS Brasil no semestre de 2015.1, os estágios e vivências na realidade do Sistema Único de Saúde, em todas as regiões do país. O VER-SUS é uma proposta do Ministério da Saúde, em parceria com a Rede Unida, com a Rede Governo Colaborativo em Saúde/UFRGS, com a UNE, com o CONASS e com o CONASEMS, onde os estagiários e facilitadores de aprendizagem, juntas/os, conhecem os serviços oferecidos pela rede, a gestão e a participação social nos sistemas locais de saúde.

O VER-SUS possibilita o despertar de uma visão ampliada do conceito de saúde, abordando temáticas sobre Educação Permanente em Saúde, quadrilátero da formação, aprendizagem significativa, interdisciplinaridade, Redes de Atenção à Saúde, reforma política, discussão de gêneros, movimentos sociais, questões que estão intrinsecamente relacionadas à saúde, ao SUS.

VERSUS BRASILAs estudantes e os estudantes de graduação emergem em uma vivência teórica, prática e vivencial dentro dos sistemas de sáude dos territórios de abrangência, cuja metodologia de imersão dura de 7 a 15 dias, de forma interdisciplinar, onde trocam experiências também com residentes, técnicos e movimentos sociais. Hospedagem, alimentação, transporte e material didático dentro do Sistema Municipal de Saúde sempre são disponibilizados às/aos participantes. É, com certeza, uma experiência ímpar para nossa graduação!

No meu primeiro semestre de Psicologia me inscrevi para a 6ª edição do Estágio de Vivência no SUS, acabei não conseguindo uma das vagas para viventes, mas continuei atenta para as oportunidades das outras edições. e E agora quase um ano e meio depois, em sua sétima edição, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), por meio da Superintendência de Recursos Humanos (SUPERH), através da Escola Estadual de Saúde Pública (EESP), realizou as inscrições para o Estágio de Vivências no Sistema Único de Saúde (EVSUS-BAHIA), no meio do mês de janeiro. Porém, o período de imersão do VER-SUS estava agendado para a mesma data de uma outra vivência que eu participaria, a da SEVI-SUS UFBA, então decidi esperar a próxima edição para me inscrever e tentar conquistar uma vaga como vivente ou facilitadora.

FAS UFBAAno passado, em 2014, tive a oportunidade de participar pela primeira vez e ser aprovada em uma outra seleção semelhante a do VER-SUS, a III Semana de Vivências Interdisciplinares no SUS (SEVI-SUS) da Universidade Federal da Bahia. A semana é organizada pelo Fórum Acadêmico de Saúde da UFBA e aberta apenas às/aos estudantes do campus de Salvador, dos mais de vinte cursos de graduação da universidade, onde na etapa final são selecionadas/os cerca de quarenta estudantes. Preciso nem dizer o quanto desejava a aprovação e vibrei com o resultado! Fiquei verdadeiramente contente, depois de dias de ansiedade, e tenho certeza que a SEVI-SUS será uma semana de experiências incríveis para a minha formação profissional e enquanto pessoa, militante, cidadã.

A experiência dos estágios e vivências na realidade do SUS nos permitem conhecer como funciona o sistema de saúde que a grande maioria da população brasileira, negra e pobre, utiliza, trocar experiências e realizar discussões com estudantes de outros cursos de graduação, de forma interdisciplinar, enquanto somos sensibilizadas/os para o verdadeiro compromisso que nós, futuras e futuros profissionais, temos: o compromisso com a saúde do nosso povo, a vida de nossa gente. É nosso papel voltar nossa formação, prática e produção de conhecimento na universidade, mas também política e socialmente, por uma Psicologia, por serviços e uma saúde pública para todas e todos: nos forjarmos na luta por um SUS que seja verdadeiramente universal.

Acompanhe a página do VER-SUS Brasil para ficar por dentro das próximas inscrições de estágios e vivências na realidade do Sistema Único de Saude. E se você for estudante da UFBA ou da Bahia, acompanhe as páginas do Fórum Acadêmico de Saúde e da Escola Estadual de Saúde Pública (EESP) também!

O que acharam dos programas? Já conheciam as vivências e estágios no SUS ou participaram na imersão de alguma edição?

Psyme: pedacinho de mim

O Psyme será um pedacinho de mim. É a minha nova meta-projeto, um daqueles desejos sinceros ganhando asas para alçar voo. Extrapola meu momento universitária e toma a dimensão da liberdade no céu de mim mesma.

Desde que entrei na faculdade, a ideia de criar um blog relacionado a Psicologia mas englobando tudo aquilo que eu mais gosto, considero importante e não consigo enxergar de forma dissociada a ela, fixou-se na minha mente e vem me perseguindo desde então.

Esse blog não será um blog sobre mim. É sobre mim, sobre a Psicologia e sobre todos as pessoas ao meu redor porque, como diz Todorov nas primeiras linhas de um livro ainda fresco em minha mente, o eu é um outro e cada um dos outros é um eu também. É isso! O Psyme não será apenas o endereço da internet de uma estudante de Psicologia, mas da Caroline – acompanhada por todos os adjetivos pertencentes a esse sujeito em uma mesma oração, após o ponto continuação ou em um novo parágrafo – e de quem ou o quê a faz ela ser a pessoa que ela é.

Eis então que o mês chuvoso de Maio de 2014 surge,  decretando que já é tempo (há tempo) do Psyme se tornar realidade. De 2011 a 2013, mantive um outro blog na internet chamado Faíscas Voam. O FV surgiu na época do colégio, Ensino Médio, quando assegurei em meu coração a certeza de que uma das coisas que eu passaria a vida fazendo era escrever. Agora, em 2014 e em diante, é o Psyme que me acompanhará.

Assim, o Psyme trará doses de psicologia, neuropsicologia, literatura, vida universitária, música, cinema, romance, texto, comportamento, nordeste, baianidade, humanidade e de um universo ainda a ser desvendado. Ah, mas se a gente por acaso acabar se perdendo dentro dele, não precisa ter medo. Estaremos flutuando no céu da gravidade e essa ideia me parece fantástica!

Céu estrelado

Desde já, vida longa ao Psyme.

Agora, próximo post!

 

Observação: as postagens anteriores foram importadas do meu antigo blog, o Faíscas Voam. Confiram! :)))

 

Obrigada pela visita!

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Eu adoraria conhecê-l@!

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